Anticonvulsants for fibromyalgia

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Authors


Abstract

Background

Fibromyalgia (FM) is a clinically well-defined chronic condition of unknown aetiology characterised by chronic widespread pain that often co-exists with sleep problems and fatigue. People often report high disability levels and poor health-related quality of life (HRQoL). Drug therapy focuses on reducing key symptoms and disability, and improving HRQoL. Anticonvulsants (antiepileptic drugs) are drugs frequently used for the treatment of chronic pain syndromes.

Objectives

To assess the benefits and harms of anticonvulsants for treating FM symptoms.

Search methods

We searched the Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) (Issue 8, 2013), MEDLINE (1966 to August 2013), PsycINFO (1966 to August 2013), SCOPUS (1980 to August 2013) and the reference lists of reviewed articles for published studies and www.clinicaltrials.gov (to August 2013) for unpublished trials.

Selection criteria

We selected randomised controlled trials of any formulation of anticonvulsants used for the treatment of people with FM of any age.

Data collection and analysis

Two review authors independently extracted the data of all included studies and assessed the risks of bias of the studies. We resolved discrepancies by discussion.

Main results

We included eight studies: five with pregabalin and one study each with gabapentin, lacosamide and levetiracetam. A total of 2480 people were included into anticonvulsants groups and 1099 people in placebo groups. The median therapy phase of the studies was 13 weeks. The amount and quality of evidence were insufficient to draw definite conclusions on the efficacy and safety of gabapentin, lacosamide and levetiracetam in FM. The amount and quality of evidence was sufficient to draw definite conclusions on the efficacy and safety of pregabalin in FM. Therefore, we focused on our interpretation of the evidence for pregabalin due to our greater certainty about its effects and its greater relevance to clinical practice. All pregabalin studies had a low risk of bias. Reporting a 50% or greater reduction in pain was more frequent with pregabalin use than with a placebo (risk ratio (RR) 1.59; 95% confidence interval (CI) 1.33 to 1.90; number needed to treat for an additional beneficial outcome (NNTB) 12; 95% CI 9 to 21). The number of people who reported being 'much' or 'very much' improved was higher with pregabalin than with placebo (RR 1.38; 95% CI 1.23 to 1.55; NNTB 9; 95% CI 7 to 15). Pregabalin did not substantially reduce fatigue (SMD -0.17; 95% CI -0.25 to -0.09; 2.7% absolute improvement on a 1 to 50 scale) compared with placebo. Pregabalin had a small benefit over placebo in reducing sleep problems by 6.2% fewer points on a scale of 0 to 100 (standardised mean difference (SMD) -0.35; 95% CI -0.43 to -0.27). The dropout rate due to adverse events was higher with pregabalin use than with placebo use (RR 1.68; 95% CI 1.36 to 2.07; number needed to treat for an additional harmful outcome (NNTH) 13; 95% CI 9 to 23). There was no significant difference in serious adverse events between pregabalin and placebo use (RR 1.03; 95% CI 0.71 to 1.49). Dizziness was reported as an adverse event more frequently with pregabalin use than with placebo use (RR 3.77; 95% CI 3.06 to 4.63; NNTH 4; 95% CI 3 to 5).

Authors' conclusions

The anticonvulsant, pregabalin, demonstrated a small benefit over placebo in reducing pain and sleep problems. Pregabalin use was shown not to substantially reduce fatigue compared with placebo. Study dropout rates due to adverse events were higher with pregabalin use compared with placebo. Dizziness was a particularly frequent adverse event seen with pregabalin use. At the time of writing this review, pregabalin is the only anticonvulsant drug approved for treating FM in the US and in 25 other non-European countries. However, pregabalin has not been approved for treating FM in Europe. The amount and quality of evidence were insufficient to draw definite conclusions on the efficacy and safety of gabapentin, lacosamide and levetiracetam in FM.

Resumo

Anticonvulsivantes para a fibromialgia

Introdução

Fibromialgia (FM) é uma condição crônica clinicamente bem definida, de etiologia desconhecida, caracterizada por dor crônica generalizada que muitas vezes co-existe com problemas de sono e fadiga. Pessoas geralmente relatam níveis de deficiência elevados e má qualidade de saúde da vida (QV). A terapia de droga centra-se na redução dos sintomas-chave e deficiência, e melhorar a QV. Anticonvulsivantes (medicamentos antiepilépticos) são medicamentos frequentemente utilizados para o tratamento de síndromes de dor crônica.

Objetivos

Avaliar os benefícios e malefícios dos anticonvulsivantes para o tratamento de sintomas da FM.

Métodos de busca

Buscamos no Cochrane Central Register de Ensaios Controlados (CENTRAL) (Edição 8, 2013), MEDLINE (1966 a Agosto de 2013), PsycINFO (1966 a Agosto de 2013), SCOPUS (1980 a Agosto de 2013) e as listas de referência de artigos revisados para estudos publicados e www.clinicaltrials.gov (até Agosto de 2013) por ensaios clínico não publicados.

Critério de seleção

Selecionados ensaios clínicos controlados randomizados de qualquer formulação de anticonvulsivantes utilizados para o tratamento de pessoas com FM de qualquer idade.

Coleta dos dados e análises

Dois autores da revisão extraíram, independentemente, os dados de todos os estudos incluídos e avaliaram os riscos de viés dos estudos. Resolvemos discrepâncias por discussão.

Principais resultados

Incluímos oito estudos: cinco com pregabalina e um estudo cada um com gabapentina, lacosamida e levetiracetam. Um total de 2480 pessoas foram incluídas no grupo anticonvulsivantes e 1099 pessoas no grupo placebo. A fase de terapia mediana dos estudos foi de 13 semanas. A quantidade e a qualidade das provas eram insuficientes para tirar conclusões definitivas sobre a eficácia e segurança da gabapentina, lacosamida e levetiracetam em FM. A quantidade e qualidade da evidência foi suficiente para tirar conclusões definitivas sobre a eficácia e segurança de pregabalina em FM. Portanto, nós nos concentramos em nossa interpretação das evidências para a pregabalina devido à nossa maior certeza sobre seus efeitos e sua maior relevância para a prática clínica. Todos os estudos com pregabalina tem um baixo risco de viés. Relatos de redução de 50% ou mais de dor foram mais freqüentes com o uso de pregabalina do que com um placebo (razão de risco (RR) 1,59; intervalo de confiança (IC) 95% 1,33 a 1,90; número necessário para tratar de um resultado benéfico adicional (NNTB) 12; IC 95% 9 a 21). O número de pessoas que relataram estar "muito" ou "muitíssimo" melhor foi maior com pregabalina do que com placebo (RR 1,38; IC 95% 1,23 a 1,55; NNTB 9; ic 95% 7 a 15). Pregabalina não reduziu substancialmente a fadiga (DMP -0,17; IC 95% -0.25 a -0.09; melhoria absoluta de 2,7% em uma escala de 1 a 50) comparada com placebo. Pregabalina tinha uma pequena vantagem sobre o placebo na redução de problemas do sono 6,2% menos pontos em uma escala de 0 a 100 (diferença média padronizada (DMP) -0.35; IC 95% -0,43 a -0,27). A taxa de abandono devido a eventos adversos foi maior com o uso de pregabalina do que com o uso de placebo (RR 1,68; IC 95% 1,36 a 2,07; número necessário para tratar para um resultado prejudicial adicional (NNTH) 13; IC 95% 9 a 23). Não houve diferença significante em eventos adversos graves entre a pregabalina e uso de placebo (RR 1,03; IC 95% 0,71 a 1,49). Tontura foi relatada como um evento adverso mais frequente com o uso pregabalina do que com o uso de placebo (RR 3,77; IC 95% 3,06 a 4,63; NNTH 4; IC 95% 3 a 5).

Conclusão dos autores

O anticonvulsivante, pregabalina, demonstrou um benefício pequeno em relação ao placebo na redução da dor e problemas de sono. O uso de pregabalina demonstrou não reduzir substancialmente a fadiga em comparação com o placebo. Taxas de abandono do estudo devido a eventos adversos foram mais elevados com o uso de pregabalina em comparação com o placebo. Tontura foi um evento adverso particularmente frequente observado com o uso de pregabalina. Até o momento desta revisão, a pregabalina é a única droga anticonvulsivante aprovada para o tratamento de FM nos EUA e em outros 25 países não europeus. No entanto, a pregabalina não tinha sido aprovada para o tratamento de FM na Europa. A quantidade e a qualidade das provas eram insuficientes para tirar conclusões definitivas sobre a eficácia e segurança da gabapentina, lacosamida e levetiracetam em FM.

Notas de tradução

Traduzido por: Vaniely Kaliny Pinheiro de Queiroz, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil. Contato:portuguese.ebm.unit@gmail.com

Plain language summary

Anticonvulsants for fibromyalgia

Researchers in The Cochrane Collaboration conducted a review of research about the effects of anticonvulsants (antiepileptic drugs) on fibromyalgia (FM). After searching for all relevant studies, they found eight studies with up to 3579 people. The anticonvulsants that they studied were gabapentin, lacosamide, levetiracetam and pregabalin. They found reliable conclusions for pregabalin only.

Key results: pregabalin compared with fake medication after an average of 13 weeks

- Pregabalin slightly reduces pain and sleep problems.
- Pregabalin slightly reduces fatigue.
- Pregabalin increases medication side effects, in particular dizziness.
- Pregabalin does not differ from fake medication in serious side effects.

Possible side effects may include drowsiness, weight gain, swelling in the legs, blurred vision and co-ordination problems. Rare complications may include angio-oedema (swelling that happens just below the surface of the skin, most often around the lips and eyes), allergies and diseases of the immune system, worsening of heart failure, impairment of a person's ability to drive or operate machinery, and abuse or dependency on pregabalin. Serious side effects, such as suicidal thoughts, are very rare.

What is FM and what are anticonvulsants?

People with FM suffer from chronic widespread pain, sleep problems and fatigue. There is no cure for FM at present. Treatments aim at relieving the symptoms and improving quality of life.

Anticonvulsants are medications which help people with epileptic seizures. Neurons are cells that send messages to the brain. For example some neurons send messages about light, sound or touch to the brain. If something goes wrong and the neurons send too many messages quickly, then people may feel pain more strongly. Anticonvulsants can help slow the neurons down in the spinal cord and the brain. Some anticonvulsants can reduce pain and sleep problems in chronic pain due to nerve damage and can stabilize mood in people with anxiety and depressive disorders. People with fibromyalgia can have more brain activity and stronger reactions to the stimulus from their senses, so anticonvulsants might help with that. Pregabalin is approved for use in FM patients in most countries of North and South America and Asia, but not in Europe.

Best estimate of what happens to people with FM when they take pregabalin

Pain:

- 9 more people out of 100 who took pregabalin reached 50% or greater pain reduction than people who took fake medication (9% absolute improvement).

- 23 out of 100 people had their pain reduced by 50% or greater when they took pregabalin compared with 14 out of 100 people when they took a fake medication.

Global improvement:

- 11 more people out of 100 who took pregabalin improved 'much' and 'very much' globally than people who took fake medication (12% absolute improvement).

- 39 out of 100 people improved 'much' and 'very much' globally when they took pregabalin compared with 28 out of 100 people when they took a fake medication.

Fatigue (measured on a 1 to 50 scale):

- People who took pregabalin reported a slight reduction of fatigue (2.7% absolute improvement) than people who took a fake medication.

- People who took pregabalin rated their fatigue as 34.6 compared with 35.6 in people who took a fake medication.

Sleep problems (measured on a 0 to 100 scale):

- People who took pregabalin reported a reduction of sleep problems (6.2% absolute improvement) than people who took a fake medication.

- People who took pregabalin rated their sleep problems to be 54.9 compared with 58.6 in people who took fake medication

Stopping medication due to side effects:

- 7 more people out of 100 stopped pregabalin compared with fake medication because of side effects (8% absolute deterioration).

- 18 people out of 100 who took anticonvulsants stopped medication due to side effects compared with 11 people out of 100 who took a fake medication.

Serious side effects:

- There were no differences between pregabalin (5.2%) and fake medication (4.1%) in the number of serious adverse events.

Dizziness:

- 24 more people out of 100 reported dizziness as a side effect of pregabalin (28% absolute deterioration).

- 35 people out of 100 who took pregabalin reported dizziness as a side effect compared with 11 people out of 100 who took a fake medication.

Resumo para leigos

Anticonvulsivantes para a fibromialgia

Pesquisadores da Cochrane Collaboration realizaram uma revisão de pesquisas sobre os efeitos dos anticonvulsivantes (medicamentos anti-epilépticos) sobre a fibromialgia (FM). Depois de buscar por todos os estudos relevantes, eles encontraram oito estudos com até 3579 pessoas. Os anticonvulsivantes estudados foram gabapentina, lacosamida, levetiracetam e pregabalina. Eles encontraram conclusões confiáveis somente para a pregabalina.

Principais resultados: pregabalina comparada com placebo após uma média de 13 semanas

- Pregabalina reduz ligeiramente problemas de dor e sono.
- Pregabalina reduz ligeiramente a fadiga.
- Pregabalina aumenta os efeitos colaterais dos medicamentos, em particular tonturas.
- Pregabalina não difere do placebo em efeitos colaterais graves.

Possíveis efeitos colaterais podem incluir sonolência, ganho de peso, inchaço nas pernas, visão turva e problemas de coordenação. As complicações raras podem incluir angioedema (inchaço que ocorre logo abaixo da superfície da pele, na maioria das vezes ao redor dos lábios e olhos), alergias e doenças do sistema imunológico, agravamento da insuficiência cardíaca, diminuição da capacidade de uma pessoa para conduzir ou utilizar máquinas e abuso ou dependência à pregabalina. Os efeitos secundários graves, como pensamentos suicidas, são muito raros.

O que é FM e quais são os anticonvulsivantes?

As pessoas com FM sofrem de dor crônica generalizada, problemas de sono e fadiga. Não há cura para a FM no presente. Tratamentos são destinados a aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Anticonvulsivantes são medicamentos que ajudam as pessoas com crises epilépticas. Os neurônios são as células que enviam mensagens para o cérebro. Por exemplo, alguns neurônios enviam mensagens sobre luz, som ou toque para o cérebro. Se algo der errado e os neurônios enviarem muitas mensagens rapidamente, então as pessoas podem sentir dor mais fortemente. Anticonvulsivantes podem ajudar a desacelerar os neurônios na medula espinal e no cérebro. Alguns anticonvulsivantes podem reduzir a dor e os problemas de sono em dor crônica devido a danos nos nervos e podem estabilizar o humor em pessoas com ansiedade e transtornos depressivos. Pessoas com fibromialgia podem ter mais atividade cerebral e as reações mais fortes ao estímulo de seus sentidos, deste modo anticonvulsivantes podem ajudar com isso. Pregabalina é aprovado para uso em pacientes com FM na maioria dos países da América do Norte e do Sul e Ásia, mas não na Europa.

Melhor estimativa do que acontece em pessoas com FM quando tomam pregabalina

Dor:

- 9 em cada 100 pessoas que tomaram pregabalina chegaram a redução de 50% ou mais da dor do que as pessoas que tomaram placebo (9% de melhoria absoluta).

- 23 em cada 100 pessoas tiveram sua dor reduzida em 50% ou mais quando tomaram a pregabalina comparado com 14 em cada 100 pessoas quando tomaram placebo.

Melhora global:

- 11 em cada 100 pessoas que tomaram pregabalina melhoraram 'muito' e 'muito mais' globalmente do que as pessoas que tomaram placebo (12% de melhora absoluta).

- 39 em cada 100 pessoas melhoraram 'muito' e 'muito mais' globalmente quando tomaram pregabalina comparado com 28 em cada 100 pessoas quando tomaram placebo.

Fadiga (medido em uma escala de 1 a 50):

- Pessoas que tomaram a pregabalina reportaram uma ligeira redução da fadiga (melhoria absoluta de 2,7%) do que as pessoas que tomaram placebo.

- Pessoas que tomaram a pregabalina classificaram sua fadiga como 34,6 em comparação com 35,6 em pessoas que tomaram placebo.

Problemas de sono (medido em uma escala de 0 a 100):

- Pessoas que tomaram a pregabalina relataram uma redução dos problemas de sono (6,2% de melhoria absoluta) do que as pessoas que tomaram placebo.

- Pessoas que tomaram a pregabalina classificaram seus problemas de sono em 54,9 em comparação com 58,6 em pessoas que tomaram placebo.

Abandono da medicação devido aos efeitos colaterais:

- Mais de 7 em cada 100 pessoas abandonaram a pregabalina comparado com placebo por causa dos efeitos colaterais (8% de deterioração absoluta).

- 18 pessoas em cada 100 que tomaram anticonvulsivantes pararam a medicação devido aos efeitos colaterais em comparação com 11 pessoas em cada 100 que tomaram placebo.

Efeitos colaterais graves:

- Não houve diferenças entre a pregabalina (5,2%) e a placebo (4,1%) no número de eventos adversos graves.

Tontura:

- Mais de 24 pessoas em cada 100 relataram tontura como um efeito colateral de pregabalina (28% de deterioração absoluta).

- 35 pessoas em cada 100 que tomaram pregabalina relataram tonturas como efeito adverso comparado com 11 pessoas em cada 100 que tomaram placebo.

Notas de tradução

Traduzido por: Vaniely Kaliny Pinheiro de Queiroz, Unidade de Medicina Baseada em Evidências da Unesp, Brazil. Contato:portuguese.ebm.unit@gmail.com

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