Conflict between Fishermen and Giant Otters Pteronura brasiliensis in Western Brazilian Amazon

Authors


Corresponding author; e-mail: patriciafarias@hotmail.com

Abstract

The recovery of giant otter populations after the hunting prohibition and restriction of the pelt trade resulted in more frequent conflicts with fishermen. In this study, fisherman–giant otter conflicts were analyzed in the Uacari Sustainable Development Reserve, where giant otters are accused of interfering with fisheries by eating the fish (predation), frightening the fish away (local interference), and damaging fishing equipment (direct interference). Interference by predation was analyzed by evaluating overlap in fish species consumption between humans (measured by subsistence and commercial catches) and giant otters. The giant otter diet was assessed from fecal samples, and the human diet through questionnaires. Local and direct interferences were analyzed through fish samples using gillnets and comparing capture efficiency with and without giant otters’ presence. The overlap between human and giant otter diets was low (0.37), varied seasonally, and was smaller in the low water (0.24) than in the high water period (0.60), when both species tend to be more generalists. Overlap between fish species consumed by giant otters and those exploited by commercial fisheries was small (0.34). Giant otter presence during the experimental fishing was low (9.5%), restricted to the high water period, and did not significantly reduce the captures (= 13, = 0.61). The low overlap in diet may be a result of differences in preferences and fishing strategies. The conflict between giant otters and fishermen is greater in the high water period, when the income of the fisheries decreases; however, the conflict seems to be mainly motivated by the resident's prejudice against giant otters.

Resumo

A recuperação de populações de ariranhas, após a proibição da caça e do comércio de peles, tem tornado mais constantes os conflitos com pescadores. Neste estudo analisou-se o conflito entre pescadores e ariranhas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, onde as ariranhas são acusadas de interferirem na pesca por comerem (predação) e espantarem (interferência local) os peixes, e danificarem apetrechos de pesca (interferência direta). A interferência por predação foi analisada através da sobreposição alimentar entre as espécies de peixes consumidas por humanos (capturas comerciais e de subsistência) e ariranhas. A dieta das ariranhas foi avaliada por amostras de fezes, e a dos humanos por entrevistas. As interferências local e direta foram analisadas através de pescarias experimentais com malhadeiras, comparando-se a eficiência de captura entre eventos com e sem a presença de ariranhas. A sobreposição entre as dietas de humanos e ariranhas foi baixa (0,37), variou temporalmente, e foi menor na seca (0,24) que na cheia (0,60), quando ambas as espécies tendem a ser mais generalistas. A sobreposição entre os peixes consumidos pelas ariranhas e aqueles explorados pela pesca comercial local foi pequena (0,34). A presença de ariranhas durante as pescarias experimentais foi baixa (9,5%), só ocorreu na cheia, e não interferiu significativamente na eficiência das capturas (= 13, = 0,61). A baixa sobreposição nas dietas pode ser resultado de diferenças nas preferências alimentares e estratégias de pesca. O conflito entre ariranhas e pescadores é intensificado na cheia, quando o rendimento das pescarias diminui naturalmente, mas parece ser motivado principalmente pelo preconceito dos moradores com relação às ariranhas.

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